quarta-feira, 26 de dezembro de 2012



         E soaram os clarins e fez-se ouvir o som das trombetas.
         E Victor viu-se transportado em corpo ao céu dos céus, para além daquele que os olhos
contemplam no firmamento, nas alturas celestiais.

         ANJO  MINISTRO

         Victor o sangue de teu irmão ainda clama por vingança sobre a face da terra.

         Os sentidos abalados de Victor impediam-no de enxergar com nitidez a figura angelical que perante ele se apresentava. Aos poucos se desnublam seus olhos e pode ele divisar a figura de um anjo, com suas asas brancas e espada flamejante na mão direita. Mais para a esquerda pode ele ver Nébro que com o olhar fixo no infinito parecia não dar-se conta de sua presença.

        ANJO MINISTRO

        Victor declaro-te que se não fizeres por onde te redimir de teu crime serás transportado ao reino das trevas.

        VICTOR

        Todo homem em verdade está fadado à solidão, bem como nos revelado foi que somos assassinos daquele que foi eleito nosso salvador.

        NÉBRO

        O coração humano é insondável ao próprio homem, e os sentimentos tanto velam quanto revelam a divina essência humana.

        VICTOR 

        Eis que percebo irressonantes meus lamentos. Trago meu peito oprimido por uma sabedoria há muito por mim desprezada. Dor lancinante me dilacera o peito e quero lançar gritos ao infinito.
Se fores capaz de conceder-me o esquecimento de mim. Rogo-te por esta graça.

      NÉBRO

      Não temas tanto assim a vigília que te foi imposta, atenta para o mediador que há dentro de ti mesmo e não te precipitas na busca do que pode te conduzir senão a sonhos para os quais não estás preparado, senão para o despertar de uma dor ainda mais terrível. 

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