sábado, 28 de abril de 2012

NÉBRO

SEGUNDA PARTE


NÉBRO APRESENTA-SE A VICTOR EM SEU APOSENTO

      Aproveitando-se do estado de abatimento e profundo semisono em que se encontrava Victor,
o demônio Nébro envolvido por densa nuvem de fumaça, penetra quarto a dentro e materializa-se
num homem comum, de vestimentas sóbrias e aspecto agradável.
      Victor em seu topor, não se dá conta logo da chegada do estranho desconhecido, e só após
esfregar bem os olhos indaga da figura que vê.

VICTOR

      Quem és tu? Como conseguis-te adentrar meus aposentos se passei a chave ao chegar?

NÉBRO

      Para mim, não há buraco que não me caiba, nem espaço que não possa eu ocupar.

VICTOR

      Aviso-te     que     não estou para trotes ou fanfarronices. Não te conheço e peço-te que te ausentes.

NÉBRO

      Acalma-te mortal soberbo! Não queres saber quem sou e por que estou aqui?

VICTOR

     Muito bem dizes o que tens a dizer.

NÉBRO

     Estou aqui em resposta a tuas súplicas ao Altíssimo. Proponho-te um negócio para saciar a sede de tua alma. Antes que caias na demência do espírito.

VICTOR

      Mas não te assemelhas a nenhum ser celestial, soldado de alguma legião angelical.

NÉBRO

       Tomei este aspecto para que não te consumisses com meu esplendor original.

VICTOR

       Penso que sonho.

NÉBRO

      Eis que te falo desde já um enigma:
      "Na maldição das testemunhas de teu sono está a chave de teu descanso".

VICTOR

      Pois bem, não compreendo o que queres dizer, mas vamos ao negócio que tens a me propor.

NÉBRO

      O Altíssimo e eu nos condoemos de tuas súplicas e resolvemos por fim a teus lamentos. Para isso haverás de compactuar-te comigo.

VICTOR

       E o que devo eu fazer?

NÉBRO

       Deves apenas jurar-me que após haver- te saciado em teus anseios mais profundos, em todos os desejos de tua alma; ao partir deste mundo estarás compromissado em ser meu servo fiel numa próxima vida.

VICTOR

       Ora não preocupa-me uma próxima vida, pois esta que desfruto constrange-me tanto a alma, que se não pus fim aos meus dias ainda, é pela covardia minha em deparar-me com o desconhecido de além túmulo.

NÉBRO

       Satisfaz-me ouvir-te falar assim, pois não aceitarei revogar o trato após feito o pacto e ser consumado o juramento de ambas as partes.

VICTOR

      Mas antes de compactuar-mo-nos quero saber quais as vantagens que deveras levo no acordo, quais as cláusulas do contrato nosso.

NÉBRO

       Prometo auxiliar-te a conseguir saciar todos os teus desejos, mesmo os mais íntimos e secretos. Prometo-te ainda revelar muito dos mistérios do universo, ao menos o que estiver ao meu alcance. Não haverá enleio de tua alma, desejo de tua carne que não seja satisfeito, isto eu te garanto.

VICTOR

          Se é realmente assim como dizes nada tenho a perder.

NÉBRO

        Só exijo o cumprimento de tua parte no combinado, ou seja, ao fim de tudo; quando fores partir desta para a outra, tua alma a mim pertence e tu jurarás não por obstáculo a posse minha de teu espírito e me servirás numa próxima existência.

VICTOR

          Como já disse estou tão atormentado dessa existência que desfruto,que qualquer coisa me vale de troca. Feito. Negócio aceito.

NÉBRO

           Pois       bem,   desde já  intera-me. Vasculha tua alma num desejo teu já neste instante e começarei a cumprir minha parte em nosso trato.

VICTOR

            Quero    que   auxilie-me a rever em breve aquela que foi e é ainda minha amada. Já isso conseguido muito se aliviará minha alma.

NÉBRO

            Qual seu nome?

VICTOR

           Raquel se chama ela!

NÉBRO

          Diga-me como posso localizá-la e garanto-te que já ao raiar da manhã estará arranjado para que com ela tenhas contato. É casada ou permanece solteira?

VICTOR

         A última notícia que tive sua é que estava para noivar, penso que ainda não se casou.

NÉBRO

        Bem isto em verdade não importa.

VICTOR

       E como devo chamar-te? Que palavra devo pronunciar quando me aprouver invocar-te?

NÉBRO

       Nébro é meu nome e esta é a palavra que deves usar quando quiseres que me apresente a ti.

VICTOR

      Já posso prenunciar o deleite que me aguarda, agora vai-te! 
      Quero ficar só e regozijar-me dese já com as venturas que estou prestes a alcançar.

NÉBRO

      Seu desejo me é ordem, e evanesce-se no ar.


       


            

sexta-feira, 27 de abril de 2012

OUTRO POEMA:

Como um barquinho de papel,
A deslizar na águas,
De um rio,
Assim se foi o meu amor.


Amor meu,
Que nunca tive,
Que deslizou nas águas,
De um rio desconhecido,
Rio que nunca vi.

ENFIM ME VEM OUTRO POEMA...

Inclina minha alma a testa,
Sustenta meu espírito a fronte,
Que lá do alto e elevado monte,
Desliza a lava,
Escorre o magma,
Rubro sangue a dura guerra,
Do povo que clama a nobre infante,
Impiedoso e arrogante,
Ata a corrente,
O laço enforca,
A pobreza, miséria de toda gente.

IVAN ALENCAR

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Poruque me sinto saudoso de mim...

CONFECCIONANDO A POESIA

Dá-se início à jornada,
Penetra-se floresta adentro,
Sem temer a vasta e misteriosa,
Selva das palavras,
Onde vivem naturalmente todos os vocábulos.
Colhe-se espécimes raras,
Por vezes até arcaicas.
Caça-se pacientemente as mais ariscas,
Que feito serpente traiçoeiras,
Escondem-se por entre,
O emaranhamento das sílabas.
Sem deixar-se lograr,
Toma-se uma a uma,
E meticulosamente,
Ata-se uma a outra.
E como se ebúrneas estatuetas fossem,
Ajeita-se todas,
Na estante morena da inspiração.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Um outro poema....

"Ó ave de canto agourento,
 que outrora me visitou,
 o teu canto não espantou,
 azario, sorte ou lamento.

Ó ave de canto agourento,
que ao entardecer me feria
o peito, aliançando a chegada à partida..."


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Não creio mesmo que deva prosseguir em minhas postagens,
minha ansia seria saber-me lido e logo de imediato de forma 
gloriosa ser reconhecido.
Não se pode mesmo agradar a todos em uníssono,
num tempo só...
e na certa se verdadeiro for todo aquele que me ler,
muitos louros deixarei de colher. 
Basta-me a mim oculto num recôndito meu poder crer,
num futuro distante oculto estará, sempre alguém em
que queira uma novidade vinda do que lhe tenha sido eu por
novidade primeira.