Quando ousei comer o fruto proibido no Éden, estou certo de que sabia comigo, que conhecedor era, do que minha alma deveras queria.
E foi desse ato primeiro que pude perceber, na voz potente do Deus, uma medida também de onipotência em mim.
A partir dali, criatura e criador, se fundiram em meu interior.
E as legiões do mal, pareadas às hostes do bem,
se curvaram...
e fui então reconhecido em meu possível reinado.
Desde então estou convicto, minha marcha no mundo principiei.
E meus instintos - corcéis indomados - livre caminho para seu curso encontraram.
E passaram-se as eras,
e fui edificando no transcorrer do tempo,
alguma coisa na certa, para sempre incompleta.
Hoje, quando miro um edifício, ouço uma bela sinfonia, ou contemplo
um miserável que espera...
Tudo implica na dor do despertar primeiro... do primeiro latejar
da consciência em mim.
E lá nos recônditos de minha alma,
como que oculto em eterno mistério, rememoro o sabor da mordida no fruto.
E percebo todo um tesouro em mim,
que na certa não perceberia,
não houvesse no Éden ousado,
aquele primeiro ato.
...
Se despertei de um sono do qual não era possível distinguir,
um espaço no tempo,
de uma possível eternidade...
Um sono que fazia de mim um desconhecedor de mim mesmo,
num processo continuo do existir...
E se vida e morte,
bem e mal,
amor e ódio...
eram linhas paralelas em concurso no infinito,
sem ser eu senhor de opção e domínio sobre
nenhuma delas...
Então na certa dei o passo certeiro,
quando provei daquele fruto primeiro,
Ivan Alecnar
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