sábado, 28 de dezembro de 2013

UM POEMA - AQUELA QUE JAMAIS ESQUECERI



     Venha até mim minha inesquecível amada,
     Venha até mim onde quer que estejas,
     Meu coração se debate em saudade dentro do peito,
     E sejas para mim tu,
     Como a flor que reúne todos os perfumes,
     Porque sei eu em mim minha amada,
     Ah! como sei,
     Só tu serás ao final,
     Dentre todas as testemunhas de meu último sono,
     Aquela que na certa,
      Em memória carregarei ao Paraíso.
 

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

E ASSIM IREI ADIANTE



POEMA

     Em meu próspero reinado,
     Auge de meus jovens dias,
     Assim a mim foi revelado,
     Que o amor não partilhado,
     Arremessa e se converte...
     Em rubras paixões tardias...

     E, por si só é
profanado.
 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

POEMA . . .


NO BRILHO DE TEU OLHAR,
NO ENCANTO DE TEU SORRISO,
QUERO EU NAUFRAGAR . . .

NO ACONCHEGO DE TEU PEITO,
NO AFAGO DE TUAS MÃOS,
QUERO SER UM ELEITO. . .

E NO LUME QUE ORA DESPONTA,
NA ESTRELA QUE SURGE,
E NO HORIZONTE APONTA,

ENCONTRAR O SEGREDO DE VOLTA AO LAR.



sábado, 14 de dezembro de 2013

A MORTE DE BORIS






Sofia alternava ao lado da sogra as noites de sentinela, junto ao leito do enfermo Boris.
Nesta noite em particular  contemplava o enfermo que ardia em febre e lembrava-se dos primeiros dias... Os dias em que conviveu com aquele rapaz que já conhecera com aparência de debilitado na saúde.
A lividez das faces de Boris, bem como seu físico e até mesmo sua maneira de falar, como que sempre cansado por natureza, levava qualquer um a deduzir logo tratar-se de um rapaz acometido de alguma enfermidade séria.
Caia a noite e, dia após dia, sogra e nora alternavam-se à cabeceira do jovem enfermo que transvaliava, e jovem ainda, principiava a abandonar a vida.
Sofia evitava manifestar à sogra a temeridade da perda do marido que considerava próximo ao fim. Esta por sua vez buscava não demonstrar à nora o desespero que invadia sua alma, prevendo perder o único filho.
E assim as duas mulheres arrastavam os dias e varavam as noites, numa ânsia contínua de ressuscitar ainda em vida o pobre Boris de sua enfermidade.
Até que se deu o inevitável. A consumação da agonia do rapaz que transcorreu meses em seu leito de enfermo. A mão misteriosa da morte recolheu seu último suspiro, e o entregou de volta a Deus.
Sofia e sua sogra cobriram-se de luto. E prantearam solitárias por tempo vasto aquele que para longe delas se fora, para nunca mais voltar.
E latejou no coração de ambas como um princípio de solidão, impossível de dissolver-se. Impossível de ser compartilhada.
Ajoelhadas aos pés do leito onde jazia o corpo inerte, debulhando-se em lágrimas, cada uma das duas principiaram a deslizar as contas do terço, intercedendo junto a Deus, pela alma daquele que tão cedo as deixava para trás.
Deu-se o findar do tempo necessário para que se conduzisse o corpo do jovem à sepultura.
E seguiu então o féretro pelas ruas. E cortejo solene se fez. A dor estampada nas faces da viúva e sua sogra, revestidas ambas pelo negro do luto, carregando nas mãos o rosário, emocionou a todos que em procissão fizeram questão de dar o último adeus ao jovem.
O sol não brilhava. O céu parecia conivente com a dor das duas mulheres; senão negro, cinza.

Desceu à cova o caixão, com a cruz de Cristo por sobre a tampa do ataúde.
Sofia e sua sogra voltaram as costas e, penitentes em sua dor, regressaram para casa.
Selaram a porta do quarto de Boris, como um sinete encerra um templo sagrado. E o tempo? O tempo encarregou-se de sorver do coração das duas mulheres o gotejar lento daquela dor. Daquela duplicidade de angústia e amargura que envolveu por anos o coração de ambas.


FIM